sábado, 6 de agosto de 2016

Série Fallen Angels - Cobiça - J.R. Ward

Quem acredita em anjos?
Eu tenho fases: às vezes acredito, às vezes não, às vezes sequer penso nisso.
Acredito mesmo é que não temos como descrever exatamente esses seres, assim nos resta observar a descrição que outros fazem.
Este é o tema do livro que escolhi para hoje, onde conhecemos Jim Heron e Vin di Pietro. Ambos têm suas vidas alteradas de uma maneira que poucos poderiam acreditar ser possível. E seus destinos se cruzam de maneira fatal.
Estou falando de Cobiça da série Fallen Angels, (Covet) da J.R. Ward. Neste livro, Ward aborda um assunto, em nada inédito, porém com sua peculiar destreza em criar personagens intensos, cenários riquíssimos e um enredo hipnotizante.
Para começar, o que vemos é um acordo sobre uma disputa entre o bem e o mal. E a autora faz uma analogia com os esportes.
“[...] A Terra era o campo e o jogo começou assim que o estádio terminou de ser construído. Os Demônios eram o Time da Casa. O Visitante era composto por Anjos que representavam a felicidade e o Paraíso. Cada alma era um zagueiro no campo, um participante na luta universal do bem contra mal, e placar refletia o valor moral relativo das ações de uma pessoa na Terra. O nascimento era o chute inicial e a morte o final da partida – ao passo que a pontuação seria acrescentada conforme o maior registro dessas ocorrências. Os treinadores ficavam na beirada do campo, mas eles poderiam colocar diferentes jogadores para completar o time junto com os humanos, para influenciar as coisas – e também era permitido qye pedissem um tempo para conversar com o jogador. Algo muito conhecido como ‘experiência de quase morte’. O problema era o seguinte: o Criador estava ficando entediado, como se fosse um espectador que assistisse a um jogo fora de temporada em um lugar duro e frio, cheio de cachorros-quentes no estômago e com alguém gritando o tempo todo em seu ouvido. Erros de passe demais. Intervalos demais. Prorrogações demais. Era evidente, aquilo que começou como uma competição emocionante tinha perdido seu apelo, e os times receberam o aviso: terminem com esse jogo, rapazes.Então, os dois lados tiveram que concordar em ter um zagueiro específico. Um zagueiro e sete jogadores. [...]”
Jim Heron foi o zagueiro escolhido para este jogo em que a contagem de pontos será realizada pela quantidade de almas que ele conseguir resgatar.
Jim Heron, um cara que “viveu sua vida seguindo o código de permanecer afastado das pessoas e esperava que elas o deixassem seguir sua rotina de ‘sou uma ilha’. Desde que saiu do exército, ficou vagabundeando por aí, até que parou em (adivinhem) Caldwell, mas só porque foi ali que o carro parou – e planejava pegar a estrada de novo depois de terminar o projeto pelo qual estavam trabalhando”.
Na noite em que completa 40 anos de idade ele tem sua vida totalmente transformada, ainda que ele não faça a menor ideia disso.
Nesta história conhecemos personagens novos e enigmáticos, mas também podemos ver locais e personagens de uma outra série de livros da Ward. Quem já leu, sabe do que estou falando. Não por acaso, a história se passa em Caldwell (NY). Mas não pensem que trata-se de uma extensão da outra série, não mesmo!
A primeira missão de Jim será salvar o milionário Vin di Pietro, homem que conquistou toda sua fortuna com trabalho, árduo, mas que teve uma ajuda especial da qual ele pouco se lembra e não tem noção de quão perigosa é.
Vin, claro, tem tudo o que o dinheiro pode adquirir, incluindo um puta apartamento duplex em um condomínio valorizadíssimo (uma maçã envenenada para quem descobrir qual é) e está decidido a pedir a mão de sua namorada atual em casamento, mas uma percepção, que o leva de volta a seu passado, freia seu impulso para realizar o pedido.
Esses dois homens são o foco do texto de Cobiça, mas outros personagens têm grande importância na trama toda. Mais uma marca do estilo de Ward, não se deter em uma história apenas, mas criar outras que, ainda que paralelas, dão um tempero a mais em suas histórias. E ela consegue fazer vários links entre as histórias e as personagens, mesmo aquelas que são da outra série.
Mais uma vez ela é generosa nas descrições sensuais e ambientais, fertilizando demais nossa imaginação. Uma dessas descrições muito interessantes, por sinal, é sobre os Anjos que escalam Jim, num momento em que ele está inconsciente, e fazem o comunicado a ele.
— Nigel, você é um exibicionista. Jim franziu a testa na escuridão que o rodeava. A voz com sotaque britânico veio de cima, à direita, e a tentação imediata era abrir os olhos, levantar a cabeça, e ver o que estava acontecendo. Seu treinamento deteve o impulso. Graças a sua passagem pelo exército, tinha aprendido que quando voltava a si e não sabia onde estava, era melhor fingir inconsciência até ter alguma ideia do que estava acontecendo. Movendo-se de maneira imperceptível, ele abriu as mãos e apalpou o que estava à sua volta. Ele estava sobre algo macio, mas era flexível, como se fosse um tapete felpudo muito bem cuidado ou... grama? [...] Jim abriu os olhos. O céu sobre sua cabeça estava salpicado de nuvens de algodão fofo e, embora não visse o sol, o resplendor que via era o de um domingo de verão – não só brilhante se sem qualquer sinal de chuva, como se não houvesse nada urgente para fazer, nada com que se preocupar. Ele olhou em direção às vozes... e concluiu que estava morto. À sombra das muralhas de pedra de um castelo, quatro sujeitos com bastões de críquete estavam parados próximos a muitos wickets e borás coloridas. O quarteto estava vestido de branco, um deles tinha um cachimbo, outro usava óculos redondos rosados. O terceiro passava a mão na cabeça de um cão de raça irlandês. E o quarto tinha os braços cruzados sobre o peito e uma expressão entediada. [...]”
Assim, depois de ficar sabendo onde está e quem são os quatro rapazes, Jim fica sabendo sobre sua missão.
Numa mistura de aventura, romance, suspense e uma pitada de terror, acompanhamos nosso herói nessa missão, que não será nada simples, pois tem pouquíssimo tempo para convencer Vin a mudar o rumo de sua vida definitivamente. É uma corrida contra o relógio.
E ele não estará sozinho. Em sua missão contará com o apoio de outros dois anjos.
Uma complicação na operação de resgate de Vin, será adquirir e manter sua confiança, uma vez que Jim havia passado uma noite muito agitada com a pretensa noiva de Vin. Claro que ambos não tinham consciência disso.
Mas vale dizer que Cobiça é o primeiro livro dessa série, que aborda os sete pecados capitais, e que Ward não economiza em surpresas, tensão e incertezas. Não é um livro que tenha um final óbvio. Pelo contrário, nos deixa apreensivos até o final. E, para completar, é uma leitura para homens e mulheres, pois não se trata desses romances água com açúcar, apesar de trazer um herói – Vin di Pietro – que vai precisar da salvação de outro herói – Jim Heron, para salvar sua mocinha.
São dois homens, com problemas como todos nós, que estão muito ligados aos seus passados, mas que têm a chance única de mudar o destino.
Vin está numa verdadeira encruzilhada e precisa tomar algumas decisões que definirão seu futuro. E entre essas decisões está a de se desvincular de seu passado e de conceitos há muito arraigados, mas mostra-se um amante extremante dedicado.
"[...] Antes que ela percebesse, estava de volta em seus braços, e volta a eles e ainda mais próxima. Enquanto eles estavam juntos, alguma coisa ocorreu a ela sobre as escolhas que tinha feito... algo que ela não queria olhar de muito perto, então afastou isso da mente e se prendeu apertado em seu abraço. Erguendo a cabeça para olhá-lo, ela disse: - Fique comigo. Agora. Vin ficou imóvel... e depois com mãos gentis segurou seu rosto. - Você tem certeza? - Sim. Após um longo momento, ele diminuiu a distância entre suas bocas e a beijou doce e lentamente. Ele era tão suave e cuidadoso, acariciando, inclinando sua cabeça para o lado, acariciando um pouco mais. Era melhor do que ela lembrava, porque era melhor do que aquilo que jamais teve. Correndo as palmas das mãos pelos seus braços, ela sentiu como se os dois estivessem suspensos no ar, presos por opção, não capturados pelas circunstâncias. Leve como o contato entre eles era, suave como os lábios dele eram, cuidadoso como as mãos dela eram, o vigor efervesceu entre eles.
Vin recuou um pouco. Ele estava respirando com dificuldade, os músculos do seu pescoço estavam tensos. E não só o pescoço. Quando ele olhou para ela, seus corpo estava ainda mais pronto para o que ia acontecer em seguida..."
Preparem-se para muitas emoções, surpresas e adrenalina, além de uma visita muito agradável de um dos importantes personagens de outra série de Ward. Este é um texto imperdível.
Fico por aqui, desejando a todos um excelente fim de semana!
Fiquem bem e Carpe Diem
Tani@ Lima

sexta-feira, 5 de agosto de 2016

Mistérios Noturnos: História Familiar - J.R. Ward

A grande maioria dos romances normalmente nos apresenta a seguinte realidade: a mulher como o ser que carece de cuidados, que precisa ser salva de algo ou de alguém. Encontramos uma lista enorme de textos em que somos apresentadas como frágeis, complicadas, carentes, desamparadas; vivendo situações em que precisamos de um salvador, e, quando tudo parece estar perdido, eis que surge o príncipe encantado e somos salvas de todas as nossas vidas infelizes.
O herói que trago hoje, é alguém que para salvar a mocinha, deverá ser salvo antes de tudo. Assim, diferente dos homens que conhecemos no mundo do romance literário, em quase sua totalidade, Michael aparece como uma “Bela Fera” em A História de Filho (The Story of Son), já editado aqui pela Universo dos Livros, como o primeiro dos três romances do livro Mistérios Noturnos, de J.R. Ward, autora da Irmandade da Adaga Negra.
Como os Irmãos, Michael é um vampiro, diga-se de passagem, maravilhoso. E, também como cada um dos Irmãos, tem uma história de muito sofrimento em sua vida; a diferença é que toda sua vida foi determinada e devastada por sua própria mãe.
Esta é mais uma prova da qualidade dos textos de Ward, pois traz personagens fortes, um universo fantástico e, mesmo aqueles leitores que não têm uma quedinha pelos vampiros, certamente se encantarão com essa história curta, mas intensa.
O “Filho”, ou Michael, um macho que nos faz lembrar fisicamente Wrath, só que com os cabelos tipo Phury, vive trancafiado desde a infância por ordem de sua mãe humana (mais para desumana), justamente por sua natureza vampira.
Esse lindo macho, que sequer sabe ou se lembra de seu nome, está confinado há 56 anos e, segue sua vida obscura, acreditando ser merecedor de tal destino, assim como terminará seus dias desse jeito. Até que conhece Claire Stroughton, advogada de sua mãe e sua nova “refeição” e, embora nenhum dos dois pudesse imaginar, destinada a ser sua salvadora.
Tudo acontece a partir de uma visita que Claire faz a sua cliente que, por várias razões, estava impedida de ir de Caldwell, onde reside, até o seu escritório em Manhattan durante um feriado. Durante a visita, a Srta. Leeds sugere que Claire conheça seu Filho. Mas o que ela não imagina é que não se tratava de senhor de idade avançada convencional, já que a Srta. Leeds é uma anciã de aproximadamente 90 anos.
Outra das surpresas que se seguirão será a forma como vai ser apresentada ao tal Filho.
Depois de um chá, ao qual se viu forçada a aceitar por educação, Claire perde os sentidos e, vários minutos a seguir...

“Claire virou-se na cama, sentindo veludo sob as mãos e suave algodão egípcio contra o rosto. Virou a cabeça de um lado para o outro no suave travesseiro, dando-se conta do martelar nas têmporas e que sentia náuseas.
Que sonho tão estranho… a senhorita Leeds e esse mordomo. O chá. O carrinho. O elevador.
Deus, doía-lhe a cabeça, mas de onde vinha esse maravilhoso aroma? Odores densos e sombrios… como uma agradável colônia masculina, uma colônia que ela nunca sentira antes. Enquanto, inspirava profundamente, seu corpo esquentou-se em resposta e percorreu a superfície de veludo com a palma da mão. Parecia pele…
Espere um momento. Não tinha nada de veludo em sua cama.
Abriu os olhos… e ficou olhando fixamente para uma vela. Que estava sobre uma mesinha de cabeceira que não era dela.
O pânico rugiu em seu peito, mas a letargia prevalecia sobre seu corpo. Lutou tentando levantar a cabeça, e quando finalmente conseguiu, tinha a visão imprecisa. Não que isso tivesse alguma importância, já que podia ver mais à frente do que o superficial atoleiro de luz que caía sobre a cama.
Uma vasta e espessa escuridão a rodeava.
Ouviu um misterioso som de algo sendo arrastado. Metal contra metal. Movendo-se ao seu redor. Aproximando-se dela.
Olhou em direção ao ruído, abrindo a boca, um grito formando-se em sua mente só para ficar preso no fundo de sua garganta.
Havia uma enorme silhueta negra ao pé da cama. Um enorme… homem.”
E foi dessa forma que Claire despertou para o que seria um verdadeiro pesadelo, ou talvez sonho.
Assim como ela eu também me apaixonei por Filho, ou Michael como ela mesma começou a chamá-lo, uma vez que tanto o que viu como o que conheceu dele lhe fazia pensar em algo tão etéreo como um anjo.
Presa naquele lugar esquecido do mundo, deveria ficar ali por três dias, até que ele tivesse se alimentado, depois seria solta e sua mente limpa. Mas, diferente de todas as outras mulheres que já estiveram ali, Claire é seduzida por algo que jamais poderia pensar que existisse.

“[...]
— Quero ver seu rosto. Agora.
Houve um longo silencio. Logo ouviu as correntes e ele saiu para a luz.
Claire ofegou, levando as mãos a boca. Era tão bonito como sua voz, tão bonito como seu aroma, tão bonito como um anjo… e não parecia ter mais de trinta anos.
Sua estatura de 1,98 de altura estava envolta em um roupão de seda vermelha que caía até o chão e estava amarrado com um cinto bordado. Seu cabelo era negro como a noite e o mantinha afastado do rosto, caindo em grandes ondas até… Deus, provavelmente até a cintura. E seu rosto… sua perfeição era assombrosa, com a mandíbula quadrada, os lábios grossos, e o nariz reto. Era a síntese da magnificência masculina.
Entretanto não podia ver seus olhos. Mantinha-os baixos, olhando o chão.
— Meu Deus — sussurrou —. É irreal.
Voltou para a sombra.
— Por favor, coma. Precisarei de você novamente. Logo.
Claire imaginou-o mordendo-a… chupando seu pescoço… bebendo o que levava nas veias. E teve que lembrar a si mesma que era uma violação. E que era uma prisioneira contra sua vontade e que estava sendo usada por… um monstro.
Baixou os olhos. Parte das correntes que se deslocavam com ele ainda estava à vista. Era grossa como seus punhos e supôs que estaria fechada no seu tornozelo.
  Definitivamente, ele também era um prisioneiro.
[...]”

Gente, daí em diante é só encantamento, pois vamos descobrindo, assim como Claire, as peculiaridades desse macho; desde sua crença no fato de que é merecedor desse castigo até a perda de sua virgindade.
E, meu povo, eu amo J.R. Ward! Não que minha imaginação já não seja fértil o suficiente, mas a descrição, os detalhes que acrescenta, uau! Conseguem enrubescer a mais sem-vergonhas das periguetes.
Michael nos encanta com suas descobertas, com sua história de vida e nos faz querer ficar trancafiadas com ele e sumir com as chaves.
Por outro lado, mostra-se extremamente correto, honesto e heróico também, não aceitando que Claire o resgate desse seu destino, ainda que totalmente envolvido por ela.
“[...] 
Dimitris Kouloulias
Olhou-o fixamente. Embora fosse enorme, era tão tranquilo, reservado e humilde que não teve medo dele. É obvio que a parte lógica de seu cérebro lhe recordava que deveria estar apavorada. Mas logo pensava na forma como a tinha dominado, sem machucá-la na primeira vez que despertou. E no fato de que ele parecia ter medo dela.
Conservando o olhar nas correntes, disse a si mesma que deveria dar razão aos tumultuados pensamentos em seu cérebro. Essa coisa estava ali por alguma razão.
— Qual é seu nome? — perguntou-lhe.
Suas sobrancelhas baixaram.
Deus, a luz que se derramava sobre seu rosto o fazia parecer algo definitivamente etéreo. E ainda assim, a estrutura de seus ossos era bem máscula, firme e inflexível.
— Me responda.
 — Não tenho um — disse.
— O que quer dizer com não tem um nome? Como é chamado?
— Fletcher não me chama de nenhuma forma. Minha mãe está acostumada a me chamar de filho. Assim, suponho que esse é meu nome. Filho.
— Filho.
Esfregou as coxas com a palma das mãos, de cima para baixo, e a seda vermelha de seu roupão flutuou com elas.
— Há quanto tempo está aqui embaixo?
— Em que ano estamos?
Quando respondeu-lhe, ele falou:
— Cinquenta e seis anos.
Ela perdeu respiração.
— Tem cinqüenta e seis anos?
— Não. Trouxeram-me para cá quando tinha doze anos.
— Meu Deus… — evidentemente tinham diferentes expectativas de vida — Por que o puseram nesta cela?
— Minha natureza começou a impor-se. Minha mãe disse que desta forma seria mais seguro para todo mundo.
— Esteve aqui embaixo todo este tempo? — Devia estar tornando-se louco, pensou. Não podia imaginar estar sozinha durante décadas. Não era de estranhar que não queria olhá-la nos olhos. Não estava acostumado a interagir com ninguém — Aqui embaixo, sozinho?
— Tenho meus livros. E minhas ilustrações. Não estou sozinho. Além disso, aqui estou a salvo do sol.
A voz de Claire se endureceu quando recordou a agradável, pequena e idosa senhorita Leeds drogando-a e atirando-a ali embaixo, na cela com ele.
— De quanto em quanto tempo te trazem mulheres?
— Uma vez ao ano.
— O que? Como uma espécie de presente de aniversário?
— É o tempo máximo que posso ficar antes que minha fome se torne muito intensa. Se esperar mais, morro… difícil de acreditar. — Sua voz era impossivelmente baixa. Estava envergonhado. [...]”

Quando mais nova tive um namorado com quem fiquei por algum tempo, até descobrir que era virgem, o que eu já desconfiava, mas não fazia ideia da minha reação ao confirmar o fato. Não sei se era por imaturidade minha, ou por não estar tão na dele assim, mas acontece que dias depois terminei o namoro.
Hoje, com a experiência de vida que tenho, tenho certeza de que se um Michael aparecesse em minha vida, com tanta coisa linda como esse de Ward, juro, me encarregaria de sua pureza com a maior das paciências, e olhem: se há algo que não tenho é paciência.
Definitivamente, Michael me encantou em tudo. Vocês precisam conhecer esta história de herói e heroina, de descoberta do outro e de auto-conhecimento; certamente também vão querer dar colo a Filho, Michael.
Claire entra para o rol das poucas personagens femininas que me cativaram e Michael (Filho) tornou-se meu amante literário mais doce.
Vou ficando por aqui, já me programando para o próximo delírio literário.!

Beijos e Carpe Diem!

Tania Lima

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Dom de Natal - Nora Roberts

Tarefa difícil essa de escolher sobre qual personagem falar, ainda mais se estivermos falando de personagens de grandes escritores. Para amenizar meu dilema, escolhi uma autora muito pouco conhecida, que tem pouquíssimos livros publicados... alguém já ouviu falar de Nora Roberts??? Acho que não... rs
Então, hoje quero apresentar a vocês dois personagens muito diferentes em basicamente tudo, mas que são magníficos em vários sentidos. Ambos são protagonistas de um mesmo livro, embora em histórias separadas.
Vamos conhecer um pouco sobre Jason Law e Mac Taylor, de De volta, no Natal e Nosso pedido de Natal, respectivamente, do livroDom de Natal de Nora Roberts, editado aqui pela Harlequin Books.
...
Começando por Jason, que está de volta a sua cidade natal, após dez anos.
“... Quando partiu, era um rapaz magro e rebelde de 20 anos, usando surradas calças jeans. E, agora voltava como um homem que aprendera a substituir a rebeldia por arrogância e fora bem-sucedido. Seu corpo ainda era magro, mas ajustava-se perfeitamente às roupas feitas sob medida em Savile Row e na Quinta Avenida. Dez anos haviam transformado o garoto desesperado, determinado a deixar sua marca no mundo, em um homem visivelmente satisfeito consigo mesmo por já ter alcançado esse objetivo. O que esses dez anos não haviam mudado era seu interior. Jason ainda buscava suas raízes, seu lugar. E era por isso que estava voltando a Quiet Valley.”
Como muitas pessoas reais, Jason sai de seu lar em busca de horizontes mais prósperos, provavelmente acreditando que a felicidade pode ser encontrada em algum lugar físico. Mas, com o passar do tempo e depois de tantas experiências, ainda que ele não admita, percebe que a felicidade está dentro de cada um de nós, nas coisas mais simples e comuns da vida.
Acontece que, quando deixou seu lar para trás, deixou também seu coração com a jovem Faith assim como levou o dela consigo. O que ele não esperava era que Faith tomasse outra decisão: a de não esperar por ele.
“Depois de dez anos, ele descobriu que não ficara mais fácil aceitar essa decisão. Mas, ainda assim, forçou-se a acalmar-se enquanto parava o carro no acostamento. Ele e Faith haviam sido amigos, e amantes por pouco tempo. Jason tivera outras mulheres desde então, e Faith se casara. Mas ele ainda se lembrava de como ela era aos 18 anos. Adorável, gentil, ávida. Faith quis ir com ele, mas Jason não permitira. Então, ela prometera esperar. Mas não o fizera. Ele respirou fundo e saiu do carro.”
Com um misto de saudade e revolta ele retorna ao seu lugar de origem, para tentar provar para si mesmo que tudo o teve ali ficou no passado.
Claro, quando nos preparamos para tomar determinadas decisões na vida, raramente contamos com a possibilidade de que quase nada acontecerá como queremos, principalmente em se tratando de outras pessoas. Assim, Jason está decidido a deixar tudo isso para trás e seguir com sua vida conforme havia planejado. Até reencontrar Faith.
“Emoldurada pelo batente da porta, com a tênue luz do inverno, insinuando-se pelas pequenas janelas, ela estava ainda mais encantadora do que ele se lembrava. Jason tivera a esperança de que fosse diferente. Esperava que as imagens que guardava dela fossem exageradas, do jeito que muitas fantasias são. Mas Faith estava ali, em carne e osso, e tão linda que o fez perder o ar. Talvez por isso, o sorriso que apareceu no rosto dele foi cínico e sua voz, fria.
─ Olá, Faith.
Ela não conseguia se mexer, nem para trás, nem para frente. Ele a encurralara, do mesmo modo que fizera muitos anos antes. Jason não soubera disso naquela época e ela não poderia deixá-lo saber agora. A emoção, que durante tanto tempo ficara contida, mantida em segredo, lutava contra a força de vontade dela, mas finalmente foi posta de lado.
─ Como você está? – ela conseguiu perguntar, as mãos ainda segurando com força a boneca.
─ Bem. – Ele caminhou para ela. Deus, como o deixava satisfeito ver o quanto estava nervosa. Deus, como o atormentava perceber que o perfume era o mesmo. Suave, jovem, inocente. – Você está maravilhosa. – Ele disse isso descuidadamente, como se estivesse apenas bocejando.
─ Você era a última pessoa que eu esperaria ver entrar por essa porta. – Era a pessoa que ela aprendera a parar de aguardar a cada vez que uma porta se abria. Decidida a recuperar o controle, Faith afroxou a pressão em torno da boneca. ─ Quanto tempo vai ficar na cidade
─ Apenas alguns dias. Vim por impulso.
Ela riu e esperou não ter parecido histérica.
─ Você sempre faz isso, não é? Nós lemos muito a seu respeito. Você conseguiu conhecer todos os lugares que queria.
─ E mais alguns.
Fatih virou-se de costas, dando a si mesma um momento para fechar os olhos e se recompor emocionalmente.
─ Quando você ganhou o Pulitzer, colocaram uma matéria na primeira página do jornal. O Sr. Beantree pavoneou-se pela cidade como se tivesse sido seu mentor. `Bom garoto esse Jason Law`, dizia ele. ‘Eu sempre soube que ele seria alguém.’
─ Vi sua filha.
Aquele era o maior medo de Faith, e também sua maior esperança, o sonho que colocara de lado tantos anos atrás. Ela curvou-se casualmente para pegar o véu.
─ Clara?
─ Aqui fora. Ela estava a ponto de massacrar um garoto chamado Jimmy.
─ Sim, essa é Clara. – O sorriso espontâneo era tão devastador quanto fora quanto Faith ainda era uma criança. – Ela é uma adversária cruel – completou, e quis acrescentar ‘como o pai’. Mas não ousou.
Havia tanto a ser dito! E tanto que não poderia ser dito! Se ele tivesse um único desejo naquele momento, teria sido chegar mais perto e tocá-la. Tocá-la apenas uma vez e lembrar-se de como era antes.
 Vi suas cortinas de renda.
O arrependimento a inundou. Ela teria se contentado com janelas nuas e paredes brancas.”
De volta, no Natal é um romance doce sem ser piegas. É uma história simples e descomplicada de encontros e desencontros, de abrir mão daquilo que mais desejamos em prol do outro, de silenciar e aceitar, sem ser submisso. Um texto delicioso e envolvente escrito com muita sensibilidade pela Sra. Nora Roberts que, ao contrário da minha brincadeira inicial, é um verdadeiro fenômeno editorial, encabeçando inúmeras vezes a lista dos mais vendidos do The New York Times.
...
Já em Nosso pedido de Natal, temos a história encantadora de Mac Taylor, um pai solteiro, lindo e meio descrente quanto às mulheres, que vive para o trabalho e para criar seus filhos gêmeos Zack e Zeke.
Sua história começa quando seus filhos resolvem fazer um pedido bem diferente para o Papai Noel. Ambos resolvem pedir ao bom velhinho uma mamãe de presente de Natal, com direito a descrição da mercadoria:
“Querido Papai Noel,
Nós temos sido bons. [...]
Nós alimentamos Zark e ajudamos nosso papai. Queremos uma mãe de presente de ‘Natau”. Uma mãe boa, que tenha um cheiro bom e não seja ‘mauvada’. Ela pode sorrir muito e ter cabelo ‘amareulo’. Ela precisa gostas de garotos pequenos e cachorros grandes. Ela não pode se incomodar com sujeira e tem que gostar de fazer ‘biscotos’. Queremos que seja bonita, esperta e que nos ajude com o dever de casa. Vamos cuidar bem dela. Queremos ‘biciclietas’, uma vermelha e uma ‘azu’. Você ainda tem um montão de tempo para encontrar a mamãe e para fazer as ‘biciblietas’, assim vai poder ‘aproveitá’ as festas de fim de ano. Obrigado. Amor, Zeke e Zack.”
É com essa fofura que essa história comum começa. Digo comum, porque é um tema que é corriqueiro: alguém tem que criar seus filhos sozinho, seja homem ou mulher. E, do ponto de vista da criança, é exatamente o que acontece: ou eles desejam que seus pais (separados) reatem ou que seu pai, ou mãe, viúvo, encontre um par, para que possam ter uma família completa. Simples assim.
A coisa complica quando olhamos com os olhos de adultos. Tudo é mais difícil, é mais doloroso... afinal, adulto é para complicar tudo mesmo, senão não seria adulto.
Para Mac Taylor é exatamente assim. Ele não tem plano nenhum de ser envolver novamente com alguma mulher. Tudo o que deseja é poder fazer o melhor por seus filhos; educá-los bem e vê-los crescer felizes. Contanto que seja sozinho.
Mas ele não faz a menor ideia do que seus filhos andam tramando e, nesse ínterim, chega à Taylor´s Grove a nova professora de música da escola secundária da cidade.
Assim, quando está indo de mais um dia de trabalho para buscar os meninos na escola da sobrinha (que cuidava deles até sua chegada), ele conhece Nell Davis.
“[...]
Ele empurrou as portas do auditório e a música ocupava todo o espaço. Encantado, ficou de pé no fundo, observando os cantores. Uma das alunas tocava piano. Uma moça linda, pensou Mac, que agora olhava para cima e gesticulava para animar os colegas a se esforçarem mais.
Ele conjecturava onde estaria a professora de música quando viu os filhos sentados nos assentos da primeira fileira. Mac caminhou silenciosamente pelo corredor, acenou para Kim quando seus olhares se encontraram, sentou-se atrás dos filhos e se inclinou à frente.
─ Belo show, hein?
─ Papai! – Zack quase gritou, então lembrou-se bem a tempo e falar em um sussurro animado. ─ É Natal!
─ Com certeza, é como soa. Como está Kim?
─ Ela é ótima. ─ Zeke agora se considerava um especialista em arranjos de corais. – Ela vai fazer um solo.
─ É mesmo?
─ Kim ficou com o rosto vermelho quando a Srta. Davis lhe pediu para cantar sozinha, mas se saiu bem. – Zeke estava muito mais interessado em Nell naquele momento. – Ela é bonita, não é?
Um pouco surpreso diante da declaração do filho – os gêmeos eram apaixonados por Kim, mas não eram muito dados a elogios -, ele assentiu.
─ Sim. A garota mais bonita da escola. [...]
─ A professora – completou Zack, com um olhar irritado para Zeke. – A mais bonita. – Ele apontou e o pai acompanhou a direção até o piano.
─ Ela é a professora? – Antes que Mac pudesse reavaliar o que pensara, houve um último acorde, a música parou e Nell se levantou.
─ Foi muito bom mesmo! Uma primeira passada muito consistente. ─ Ela colocou o cabelo alvoroçado para trás. ─ Mas ainda precisamos trabalhar muito. Gostaria de marcar o próximo ensaio para segunda-feira, depois da aula. Às 15h45.
No mesmo instante começaram as conversas e a agitação, e Nell precisou subir o tom de voz para conseguir transmitir o restante das suas instruções acima do barulho. Satisfeita, virou-se para sorrir para os gêmeos e se pegou rindo para uma versão mais velha, e muito mais perturbadora, dos gêmeos Taylor.
Não havia dúvida de que era o pai deles, pensou Nell. O mesmo cabelo cheio e escuro, encaracolado sobre o colarinho de uma camiseta suja. Os mesmo olhos azul-piscina, orlados por cílios longos e escuros, a encaravam. O rosto podia não ter a delicadeza levemente arredondada das crianças, mas a versão mais rude também era muito atraente. Era alto e magro, e tinha o tipo de braço que parecia forte sem ser obviamente musculoso. Estava bronzeado e mais do que um pouco sujo. Ela se pegou imaginando se aparecia uma covinha no canto direito de sua boca quando ele sorria. [...]
Esse é o primeiro encontro de Mac, desconfiado, fechado e tenso com Nell, alegre, sonhadora e prática. Ele tentando manter sua vida no ritmo que se auto-impôs, dentro de uma normalidade que ele acredita ser o melhor para si e seus filhos, enquanto que Nell está tentando recomeçar a sua vida de maneira mais simples e despreocupada, num ritmo menos acelerado que o que levava em Nova York.
Dá para se ter uma noção do que pode acontecer quando pessoas tão distintas se encontram.
Essa história charmosa e também docemente livre de pieguices completa o livro Dom de Natal. Cheia da magia emocionante desse período de festas, de doação e de amor. Uma leitura tranquila e leve com a qual temos uma pequena parcela do grande talento de Norinha!
Fico por aqui, com a promessa de mais emoções para a próxima semana e com uma vontadinha de comer rabanadas.
Até a próxima!
Beijos e Carpe Diem!
Tania Lima