quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Dom de Natal - Nora Roberts

Tarefa difícil essa de escolher sobre qual personagem falar, ainda mais se estivermos falando de personagens de grandes escritores. Para amenizar meu dilema, escolhi uma autora muito pouco conhecida, que tem pouquíssimos livros publicados... alguém já ouviu falar de Nora Roberts??? Acho que não... rs
Então, hoje quero apresentar a vocês dois personagens muito diferentes em basicamente tudo, mas que são magníficos em vários sentidos. Ambos são protagonistas de um mesmo livro, embora em histórias separadas.
Vamos conhecer um pouco sobre Jason Law e Mac Taylor, de De volta, no Natal e Nosso pedido de Natal, respectivamente, do livroDom de Natal de Nora Roberts, editado aqui pela Harlequin Books.
...
Começando por Jason, que está de volta a sua cidade natal, após dez anos.
“... Quando partiu, era um rapaz magro e rebelde de 20 anos, usando surradas calças jeans. E, agora voltava como um homem que aprendera a substituir a rebeldia por arrogância e fora bem-sucedido. Seu corpo ainda era magro, mas ajustava-se perfeitamente às roupas feitas sob medida em Savile Row e na Quinta Avenida. Dez anos haviam transformado o garoto desesperado, determinado a deixar sua marca no mundo, em um homem visivelmente satisfeito consigo mesmo por já ter alcançado esse objetivo. O que esses dez anos não haviam mudado era seu interior. Jason ainda buscava suas raízes, seu lugar. E era por isso que estava voltando a Quiet Valley.”
Como muitas pessoas reais, Jason sai de seu lar em busca de horizontes mais prósperos, provavelmente acreditando que a felicidade pode ser encontrada em algum lugar físico. Mas, com o passar do tempo e depois de tantas experiências, ainda que ele não admita, percebe que a felicidade está dentro de cada um de nós, nas coisas mais simples e comuns da vida.
Acontece que, quando deixou seu lar para trás, deixou também seu coração com a jovem Faith assim como levou o dela consigo. O que ele não esperava era que Faith tomasse outra decisão: a de não esperar por ele.
“Depois de dez anos, ele descobriu que não ficara mais fácil aceitar essa decisão. Mas, ainda assim, forçou-se a acalmar-se enquanto parava o carro no acostamento. Ele e Faith haviam sido amigos, e amantes por pouco tempo. Jason tivera outras mulheres desde então, e Faith se casara. Mas ele ainda se lembrava de como ela era aos 18 anos. Adorável, gentil, ávida. Faith quis ir com ele, mas Jason não permitira. Então, ela prometera esperar. Mas não o fizera. Ele respirou fundo e saiu do carro.”
Com um misto de saudade e revolta ele retorna ao seu lugar de origem, para tentar provar para si mesmo que tudo o teve ali ficou no passado.
Claro, quando nos preparamos para tomar determinadas decisões na vida, raramente contamos com a possibilidade de que quase nada acontecerá como queremos, principalmente em se tratando de outras pessoas. Assim, Jason está decidido a deixar tudo isso para trás e seguir com sua vida conforme havia planejado. Até reencontrar Faith.
“Emoldurada pelo batente da porta, com a tênue luz do inverno, insinuando-se pelas pequenas janelas, ela estava ainda mais encantadora do que ele se lembrava. Jason tivera a esperança de que fosse diferente. Esperava que as imagens que guardava dela fossem exageradas, do jeito que muitas fantasias são. Mas Faith estava ali, em carne e osso, e tão linda que o fez perder o ar. Talvez por isso, o sorriso que apareceu no rosto dele foi cínico e sua voz, fria.
─ Olá, Faith.
Ela não conseguia se mexer, nem para trás, nem para frente. Ele a encurralara, do mesmo modo que fizera muitos anos antes. Jason não soubera disso naquela época e ela não poderia deixá-lo saber agora. A emoção, que durante tanto tempo ficara contida, mantida em segredo, lutava contra a força de vontade dela, mas finalmente foi posta de lado.
─ Como você está? – ela conseguiu perguntar, as mãos ainda segurando com força a boneca.
─ Bem. – Ele caminhou para ela. Deus, como o deixava satisfeito ver o quanto estava nervosa. Deus, como o atormentava perceber que o perfume era o mesmo. Suave, jovem, inocente. – Você está maravilhosa. – Ele disse isso descuidadamente, como se estivesse apenas bocejando.
─ Você era a última pessoa que eu esperaria ver entrar por essa porta. – Era a pessoa que ela aprendera a parar de aguardar a cada vez que uma porta se abria. Decidida a recuperar o controle, Faith afroxou a pressão em torno da boneca. ─ Quanto tempo vai ficar na cidade
─ Apenas alguns dias. Vim por impulso.
Ela riu e esperou não ter parecido histérica.
─ Você sempre faz isso, não é? Nós lemos muito a seu respeito. Você conseguiu conhecer todos os lugares que queria.
─ E mais alguns.
Fatih virou-se de costas, dando a si mesma um momento para fechar os olhos e se recompor emocionalmente.
─ Quando você ganhou o Pulitzer, colocaram uma matéria na primeira página do jornal. O Sr. Beantree pavoneou-se pela cidade como se tivesse sido seu mentor. `Bom garoto esse Jason Law`, dizia ele. ‘Eu sempre soube que ele seria alguém.’
─ Vi sua filha.
Aquele era o maior medo de Faith, e também sua maior esperança, o sonho que colocara de lado tantos anos atrás. Ela curvou-se casualmente para pegar o véu.
─ Clara?
─ Aqui fora. Ela estava a ponto de massacrar um garoto chamado Jimmy.
─ Sim, essa é Clara. – O sorriso espontâneo era tão devastador quanto fora quanto Faith ainda era uma criança. – Ela é uma adversária cruel – completou, e quis acrescentar ‘como o pai’. Mas não ousou.
Havia tanto a ser dito! E tanto que não poderia ser dito! Se ele tivesse um único desejo naquele momento, teria sido chegar mais perto e tocá-la. Tocá-la apenas uma vez e lembrar-se de como era antes.
 Vi suas cortinas de renda.
O arrependimento a inundou. Ela teria se contentado com janelas nuas e paredes brancas.”
De volta, no Natal é um romance doce sem ser piegas. É uma história simples e descomplicada de encontros e desencontros, de abrir mão daquilo que mais desejamos em prol do outro, de silenciar e aceitar, sem ser submisso. Um texto delicioso e envolvente escrito com muita sensibilidade pela Sra. Nora Roberts que, ao contrário da minha brincadeira inicial, é um verdadeiro fenômeno editorial, encabeçando inúmeras vezes a lista dos mais vendidos do The New York Times.
...
Já em Nosso pedido de Natal, temos a história encantadora de Mac Taylor, um pai solteiro, lindo e meio descrente quanto às mulheres, que vive para o trabalho e para criar seus filhos gêmeos Zack e Zeke.
Sua história começa quando seus filhos resolvem fazer um pedido bem diferente para o Papai Noel. Ambos resolvem pedir ao bom velhinho uma mamãe de presente de Natal, com direito a descrição da mercadoria:
“Querido Papai Noel,
Nós temos sido bons. [...]
Nós alimentamos Zark e ajudamos nosso papai. Queremos uma mãe de presente de ‘Natau”. Uma mãe boa, que tenha um cheiro bom e não seja ‘mauvada’. Ela pode sorrir muito e ter cabelo ‘amareulo’. Ela precisa gostas de garotos pequenos e cachorros grandes. Ela não pode se incomodar com sujeira e tem que gostar de fazer ‘biscotos’. Queremos que seja bonita, esperta e que nos ajude com o dever de casa. Vamos cuidar bem dela. Queremos ‘biciclietas’, uma vermelha e uma ‘azu’. Você ainda tem um montão de tempo para encontrar a mamãe e para fazer as ‘biciblietas’, assim vai poder ‘aproveitá’ as festas de fim de ano. Obrigado. Amor, Zeke e Zack.”
É com essa fofura que essa história comum começa. Digo comum, porque é um tema que é corriqueiro: alguém tem que criar seus filhos sozinho, seja homem ou mulher. E, do ponto de vista da criança, é exatamente o que acontece: ou eles desejam que seus pais (separados) reatem ou que seu pai, ou mãe, viúvo, encontre um par, para que possam ter uma família completa. Simples assim.
A coisa complica quando olhamos com os olhos de adultos. Tudo é mais difícil, é mais doloroso... afinal, adulto é para complicar tudo mesmo, senão não seria adulto.
Para Mac Taylor é exatamente assim. Ele não tem plano nenhum de ser envolver novamente com alguma mulher. Tudo o que deseja é poder fazer o melhor por seus filhos; educá-los bem e vê-los crescer felizes. Contanto que seja sozinho.
Mas ele não faz a menor ideia do que seus filhos andam tramando e, nesse ínterim, chega à Taylor´s Grove a nova professora de música da escola secundária da cidade.
Assim, quando está indo de mais um dia de trabalho para buscar os meninos na escola da sobrinha (que cuidava deles até sua chegada), ele conhece Nell Davis.
“[...]
Ele empurrou as portas do auditório e a música ocupava todo o espaço. Encantado, ficou de pé no fundo, observando os cantores. Uma das alunas tocava piano. Uma moça linda, pensou Mac, que agora olhava para cima e gesticulava para animar os colegas a se esforçarem mais.
Ele conjecturava onde estaria a professora de música quando viu os filhos sentados nos assentos da primeira fileira. Mac caminhou silenciosamente pelo corredor, acenou para Kim quando seus olhares se encontraram, sentou-se atrás dos filhos e se inclinou à frente.
─ Belo show, hein?
─ Papai! – Zack quase gritou, então lembrou-se bem a tempo e falar em um sussurro animado. ─ É Natal!
─ Com certeza, é como soa. Como está Kim?
─ Ela é ótima. ─ Zeke agora se considerava um especialista em arranjos de corais. – Ela vai fazer um solo.
─ É mesmo?
─ Kim ficou com o rosto vermelho quando a Srta. Davis lhe pediu para cantar sozinha, mas se saiu bem. – Zeke estava muito mais interessado em Nell naquele momento. – Ela é bonita, não é?
Um pouco surpreso diante da declaração do filho – os gêmeos eram apaixonados por Kim, mas não eram muito dados a elogios -, ele assentiu.
─ Sim. A garota mais bonita da escola. [...]
─ A professora – completou Zack, com um olhar irritado para Zeke. – A mais bonita. – Ele apontou e o pai acompanhou a direção até o piano.
─ Ela é a professora? – Antes que Mac pudesse reavaliar o que pensara, houve um último acorde, a música parou e Nell se levantou.
─ Foi muito bom mesmo! Uma primeira passada muito consistente. ─ Ela colocou o cabelo alvoroçado para trás. ─ Mas ainda precisamos trabalhar muito. Gostaria de marcar o próximo ensaio para segunda-feira, depois da aula. Às 15h45.
No mesmo instante começaram as conversas e a agitação, e Nell precisou subir o tom de voz para conseguir transmitir o restante das suas instruções acima do barulho. Satisfeita, virou-se para sorrir para os gêmeos e se pegou rindo para uma versão mais velha, e muito mais perturbadora, dos gêmeos Taylor.
Não havia dúvida de que era o pai deles, pensou Nell. O mesmo cabelo cheio e escuro, encaracolado sobre o colarinho de uma camiseta suja. Os mesmo olhos azul-piscina, orlados por cílios longos e escuros, a encaravam. O rosto podia não ter a delicadeza levemente arredondada das crianças, mas a versão mais rude também era muito atraente. Era alto e magro, e tinha o tipo de braço que parecia forte sem ser obviamente musculoso. Estava bronzeado e mais do que um pouco sujo. Ela se pegou imaginando se aparecia uma covinha no canto direito de sua boca quando ele sorria. [...]
Esse é o primeiro encontro de Mac, desconfiado, fechado e tenso com Nell, alegre, sonhadora e prática. Ele tentando manter sua vida no ritmo que se auto-impôs, dentro de uma normalidade que ele acredita ser o melhor para si e seus filhos, enquanto que Nell está tentando recomeçar a sua vida de maneira mais simples e despreocupada, num ritmo menos acelerado que o que levava em Nova York.
Dá para se ter uma noção do que pode acontecer quando pessoas tão distintas se encontram.
Essa história charmosa e também docemente livre de pieguices completa o livro Dom de Natal. Cheia da magia emocionante desse período de festas, de doação e de amor. Uma leitura tranquila e leve com a qual temos uma pequena parcela do grande talento de Norinha!
Fico por aqui, com a promessa de mais emoções para a próxima semana e com uma vontadinha de comer rabanadas.
Até a próxima!
Beijos e Carpe Diem!
Tania Lima

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Um amor no deserto - Rosane Fantin



Quem nunca se imaginou vivendo um romance em pleno deserto? Eu já. Mas se vocês nunca se viram vivendo literalmente uma tórrida paixão com um verdadeiro tuaregue, em meio a areias, camelos, tendas, oásis e tâmaras, preparem-se para começar, pois é neste ambiente que acontece um dos romances mais doces que eu já li. E isso, graças aos céus, sem ser daqueles romances enjoativos.

Daren é um homem forte, em vários sentidos. Ele é o protagonista do livro da minha querida amiga Rosane Fantin, Um Amor no Deserto, que conta a história de como um amor intenso pode surgir onde e quando menos esperamos.
O ano é 1985. Durante a realização do Rally Paris-Dakar, Amy McGarvey seria uma das primeiras mulheres a pilotar uma moto nessa competição extremamente perigosa.
Durante a prova, esta jornalista inglesa teve sua moto atolada nas areias escaldantes nos percurso de Níger a Mali. Quando acreditava estar totalmente perdida e entregue ao seu destino final, pois já estava começando a assar naquele deserto, eis que surge um cavaleiro - ou deveria dizer um “cameleiro”; como chamamos os guris que montam esses animais? (um doce envenenado para quem me elucidar essa questão)... mas, voltando ao que interessa... no frigir, literalmente, dos ovos, eis que surge um salvador, e que salvador!
“Ele acabara de cumprir sua promessa. O último desejo de alguém que tinha dedicado sua vida ao trabalho e à família. O desejo de reunir-se aos elementos da natureza, no lugar que tanto amava. Montou seu camelo e seguiu na direção das tendas de seus primos que o abrigavam desde sua chegada a Mali. Foi quando viu alguma coisa caída sobre as areias, ao longe. Curioso, resolveu investigar. Ao chegar mais perto viu a silhueta de uma pessoa. Acelerou o cavalgar. Logo pode identificar o corpo de uma mulher, vestida apenas com uma bermuda curta, uma camiseta de algodão, com um boné vermelho, que foi o que chamara sua atenção, sobre o rosto. Desceu de sua montaria rapidamente e foi verificar se estava viva. Devia estar a algumas horas ali, sob o sol. Um exame rápido mostrou que ainda estava viva, apesar de muito desidratada. Pegou um cantil de água que trazia junto a si e, começou a molhar-lhe os lábios com cuidado, colocando-a junto a si. Passou a gotejar algumas gotas do líquido precioso dentro de sua boca. Ela ainda não reagia. Talvez precisasse hidratação intravenosa, mas isto seria impossível naquela região. O hospital mais próximo ficava a mais de 100 quilômetros dali. De repente, ouviu um gemido tímido. Logo um par de lhos azuis embaçados o olhava sem entender o que estava acontecendo.
─ Você pode me ouvir? – falou em inglês perfeito.
Ela não tinha forças para responder.
─ Você fala inglês? – perguntou novamente
Ela assentiu com um movimento leve da cabeça
─ Então tente tomar um pouco de água... Aos poucos, para não engasgar...”
Até eu, que não me julgo uma mulher das mais românticas, adoraria estar assando os miolos (e saibam que eu não suporto calor), só para ser socorrida por um homem assim, profundo, forte, com uma voz deliciosamente sensual e com duas esmeraldas nas cavidades oculares. (suspiros)
Vocês precisam saber que quando conheci Rosane, foi através de duas paixões em comum: a primeira foi o ator Gerard Butler, do qual éramos fãs (de fã clube e tudo mais – pela deusa! até camisetas fizemos!); a segunda paixão foi a leitura. Rosane tem um blog onde espalha as sementes de sua imaginação romântica. Naquele espaço existem os momentos mais encantadores que já pude viver em termos de literatura. São histórias de amor, de aventura, suspense e mesmo ficção, mas todas escritas com tanta delicadeza e pureza que conseguiram transformar essa ogra que vos escreve numa mulher mais sonhadora.
E Daren é um desses personagens tão deliciosos e marcantes que eu mesmo fui uma das que imploraram para que Rosane publicasse suas histórias.
Ele possui algo que eu invejo tremendamente, paciência, pois teve que lidar com uma mulher extremamente independente, geniosa e tão voluntariosa que pôs a própria vida em risco, não uma, mas várias vezes.
Some-se a essa qualidade rara em um homem, uma profissão fantástica que é o exercício da medicina (disso eu tenho certeza: a maioria aqui já brincou de médico) e a caridade. Fora o fato de que o cabra é uma delícia de homem, alto, bonito, inteligente, com uma voz grave, sensível e hétero. Querem mais? Então vejam:
"Quando Daren ia beijá-la, deu-se conta de que estavam em plena luz do dia, sendo observados por algumas das garotas mais curiosas da tribo. Apenas sorriu e convidou-a:
[...]
─ Então, espere eu me lavar e já saímos. É melhor você colocar o seu turbante para proteger o rosto do sol e da areia. Está bem?
─ Está ótimo.
Ela seguiu o seu conselho. Quando voltou, ele já a esperava junto ao camelo, seu conhecido, que se encontrava deitado no chão, aguardando para que eles pudessem subir em sua “rahla” (sela). Podia-se notar que ele havia se lavado e trocado de roupa. Exalava um perfume suave e másculo. Vestia uma túnica índigo com detalhes em branco e um turbante de um azul mais escuro, que o deixou com o aspecto de um príncipe árabe, como aqueles dos contos das Mil e Uma Noites. Amy conteve o suspiro que tentava escapar de seu peito. Não queria deixá-lo muito convencido.
Ele ajudou-a a subir e sentar-se entre as corcovas de sua montaria e acomodou-se atrás dela, como quando do último “passeio” que haviam feito juntos pelo deserto. A um toque dos calcanhares de Daren e um som de estalar de língua no céu da boca, o animal começou a galopar. Agora entendia como ele a tinha alcançado tão rápido durante a perseguição ao seu cavalo. Depois de mais ou menos 30 minutos de cavalgada, chegaram a um pequeno e lindo oásis, bem menor que aquele que os tinha acolhido durante a noite.
─ Este é o seu oásis particular? – perguntou encantada com o lugar.
─ Quase... Gostou?
─ Se tivesse uma linha de ônibus passando por aqui, um supermercado, uma agência de correio ou linha telefônica, eu seria capaz de passar o resto dos meus dias aqui.
Ele soltou mais uma de suas gargalhadas gostosas e apertou-a contra si. Deu-lhe um beijo no pescoço e forçou o camelo a baixar-se. Desceu primeiro e agarrou-a pela cintura, para ajudá-la a desmontar. Assim que a colocou no chão, abraçou-a e beijou-a apaixonadamente.
‘E agora? O que vai ser de mim sem ela?’, pensou.” [...]
Se pudessem, ouviriam meus gemidos... beijo no pescoço, perfume suave e másculo?? Não preciso de mais nada, Amy pode até conter seus suspiros, eu não!
Conseguiriam imaginar o guri sob a túnica? Humm...
Rosane Fantin é uma das responsáveis pela minha relativamente nova paixão por romances mais suaves e por isso só tenho a agradecer, pois com seus textos, seus homens magníficos, minha vida tornou-se também mais suave e, como escrevi em um de meus comentários em seu blog:
“Também estou irremediavelmente apaixonada por Daren! Vixe, que homem!
Concordo com a Lucy, quando diz que muitos homens esqueceram essas delicadezas, mas acho que muitas mulheres também não têm esse feeling, já estão muito voltadas para a profissão; tempos modernos, afinal. Acho que me incluo nesse rol, mas graças ao nosso Lorde (Butler, naquela época), a vocês minhas queridas amigas e a esse cantinho cor-de-rosa, meu coração e meus sonhos andam mais coloridos. Obrigada Ro, por me ajudar a descobrir essa delicadeza na minha alma” 
Não mudaria uma palavra sequer em qualquer um dos comentários que fiz, pois foi graças a leituras com Linda Howard, J.R. Ward, Nora Robert e Rosane Fantin que hoje tenho mais fé em coisas que não suportava nem a menor menção e acredito que existem muitos amores possíveis. Quem sabe meu Daren ainda está por vir?
Os livros de Rosane Fantin estão na minha lista de favoritos no Skoob e seus textos estão disponíveis para seu deleite em: http://romancesaovento.blogspot.com.br
Vou me despedindo de vocês, já pensando no próximo feitiço que trarei.

Fiquem bem e Carpe Diem.
Tania Lima

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Livro: Reencontros - Linda Howard


Olá, pessoal!
Volto hoje, depois de tanto tempo, para compartilhar com vocês mais um personagem apaixonante e mais uma história incomparável! Preparem seus corações, pois emoções fortes virão!
Estou falando de Díaz, um dos personagens magníficos do livro Reencontros (Linda Howard – não se preocupem, pois embora este seja o terceiro livro dela que cito aqui, não leio apenas essa autora estupenda, mas antes da IAN, seus livros foram os que definitivamente, me nocautearam, em termos de romance-policial-erótico-suspense e, a partir dela, fui me embrenhando neste universo tão cativante). Para ser sincera, Reencontros foi meu segundo livro da titia Linda.
Mas, voltando ao que interessa, Díaz encabeça uma lista de homens deliciosos, em diferentes sentidos, desta história que me fez chorar muito, me fez rir, me surpreendeu e me deixou chocada com as revelações. Aliás, acho que este será um dos maiores posts da Sexta Envenenada, pois aproveitarei para apresentar-lhes os outros machos cativantes. Mas o ponto central é Díaz.

Reencontros conta a história de Milla Edge, que reproduzindo a “orellha” do livro: “[...] Com uma surpreendente combinação de esperteza, instinto e paixão, Milla demonstra uma capacidade maravilhosa de encontrar crianças desaparecidas. Quando tudo parece perdido, pessoas desesperadas vão até ela em busca de esperança e solução. Movida por um desejo obsessivo de preencher o vazio na vida de outras pessoas, Milla mergulha de cabeça em todos os casos – ao mesmo tempo em que tenta superar as fortes emoções causadas por uma terrível tragédia em seu passado.
Ao viajar para uma pequena cidade do México, seguindo uma pista segura, Milla começa a descobrir o terrível destino de inúmeras crianças desaparecidas nos últimos dez anos, devido à atuação de uma quadrilha especializada no contrabando de bebês. A chave para desmantelar a quadrilha pode estar nas mãos de um arredio homem de um olho só. Para encontrá-lo, Milla une forças com James Díaz, um homem estranho e suspeito conhecido como o Localizador, que esconde seus atos sinistros. [...]”

A história é realmente eletrizante, mas não vou dar detalhes maiores, pois vou adorar saber que vocês a lerão e quero muito saber sua opinião. Enfim, Díaz entra no circuito quando Milla segue a indicação de uma ligação anônima dando-lhe a informação que deseja há tantos anos. E quando retorna a seu escritório, que está vazio, exceto por uma de suas funcionárias e amiga, tenta localizar o autor do telefonema.
Joann encostou-se na mesa e esperou Milla discar o número. Atenderam no quinto toque: ─ Estação de serviços.
Uma saudação informativa, Milla pensou. ─ Olá, aqui é Milla, da Finders, e recebemos uma ligação daí às seis da tarde de sexta-feira. Você poderia me informar...
─ Sinto muito ─ o homem disse impacientemente. ─ Este é um telefone público. Não tenho tempo para ficar observando todo mundo que o usa. Você recebeu um trote?
─ Não, foi uma ligação séria; só estou tentando encontrar o homem que me ligou.
─ Não posso ajudá-la. Sinto muito. – Ele desligou, e Milla soltou um suspiro de frustração ao desligar o telefone.
─ O que ele disse? ─ Joann perguntou ansiosamente.
─ É – disse uma voz baixa e sem emoção que veio de trás delas. ─ O que ele disse?
Joann pulou com o susto e soltou um pequeno chio assustado ao virar-se. Milla levantou-se de modo tão brusco que sua cadeira foi para trás, chocou-se com a mesa e foi parar ao lado de Joann, paralisada, olhando fixamente para o homem que bloqueava a entrada de seu escritório. Um arrepio percorreu-lhe a espinha de cima a baixo e seu coração bateu com muita força. Elas estavam sozinhas no escritório. A porta estava trancada. Como ele havia entrado? O que queria?
Ele não estava armado, pelo menos não aparentemente. Mas apesar de suas mãos estarem vazias, ela não se acalmou, porque ele tinha os olhos mais frios e distantes que ela já tinha visto. Estava vendo os olhos de um assassino e, apesar de estar com tanto medo a ponto de tremer, havia algo hipnotizador naquele olhar e ela não conseguia parar de olhá-lo. Era como uma serpente, ela pensou, hipnotizando sua presa entes do bote.
Sentia uma imobilidade sobrenatural diante dele, como se ele não fosse um ser humano.
Ao seu lado, Joann estava respirando ofegantemente, com os olhos arregalados enquanto olhava, sem piscar, o invasor. Milla tocou a mão de Joann para acalmá-la e esta imediatamente agarrou sua mão com desespero.
O homem olhou rapidamente para suas mãos dadas, e novamente para seus rostos. ─ Não me faça perguntar outra vez (a-d-o-r-o homem brabo) ─ ele disse, ainda com aquele tom totalmente vazio.
Aquela voz. Conhecia aquela voz. Mas o pânico ainda estava correndo por suas veias, e não conseguiu dizer as palavras que estavam em sua garganta, mas sua voz estava tensa: ─ Era um telefone público. O homem me disse que não sabe quem o usou, que estava ocupado demais para prestar atenção.
Um leve movimento de seus cílios foi a única resposta que o invasor lhe deu.
Não havia como passar por ele. Ele não era enorme, mas era grande o suficiente, cerca de 1,85 m, talvez 1,90 m, com um físico magro e musculoso, revelava só músculos e força, com uma pitada de rapidez de cobra cascavel. Ele era a escuridão, uma sombra carregada de uma ameaça quase palpável.
Então ela percebeu, e sentiu-se tonta quando o sangue percorreu-lhe o cérebro. Usou as mãos para agarrar-se ao canto da mesa para não car. ─ Você é o cara que me derrubou (a mim também Milla), disse com a voz fina e chocada. E, naquele momento, percebeu outra coisa, algo que deixou seus joelhos tremerem a ponto de quase não conseguirem sustentar o corpo. – Você é o Díaz.
A expressão dele continuava inalterada. – Fiquei sabendo que você queria conversar comigo – ele disse. [...]”
Depois de uma entrada como essa, há de se imaginar que, daí pra frente, é só adrenalina, e é mesmo.
Díaz definitivamente é surpreendente e, como a maioria dos homens de Linda, é único; consegue despertar vários sentimentos, várias sensações, tanto na protagonista como em nós; ele é uma verdadeira montanha-russa de emoções.
Díaz é aquele cara que passa totalmente despercebido e só o notam se assim permitir. Mesmo criança, era tão quieto, tão silencioso, que sua mãe o submeteu a exames para avaliar que sofria de algum tipo de distúrbio.
Aos 10 anos, sua mãe ficou cansada dele e o mandou para viver com seu pai no México, onde se sentia melhor, mas quatro anos depois o pegou de volta, pois queria que terminasse de estudar nos Estados Unidos. E foi o que fez. Como estavam constantemente se mudando, ele não mantinha quaisquer tipos de relações duradouras. Não namorava, pois as gurias de sua idade podiam ser lindas, mas suas personalidades não o atraíam. Perdeu a virgindade aos 20 anos, e desde então não teve muitas relações. Sexo era ótimo, mas talvez por sua maneira de ser, sempre intimidava as mulheres. Assim, mantinha-se um pouco afastado.
Até conhecer Milla Edge. Tudo nela mexeu com ele, mas seus olhos... “faziam com que ele sentisse vontade de colocar-se entre ela e o mundo e matar qualquer pessoa que lhe causasse o mínimo de dor que fosse. [...]”
Povo, nunca fui conhecida pelo meu romantismo (quase nulo), mas saber que um homem pensa assim, apenas por causa dos meus olhos... 
Foi isso que me deixou de quatro, literalmente, por James Díaz. Homem de poucas palavras, de poucos gestos, mas palavras e gestos inesquecíveis. Quando li Reencontros pela primeira vez tive um misto de emoções que foi muito difícil de superar. E acho que ainda não li outra história tão impactante em mim; impactante por ser muito possível, por ser real, não que seja baseada em fatos reais, mas que está recheada de temas polêmicos e tão atuais, como o roubo de bebês.
Nesta história encontramos outros personagens muito fortes, como o ex-marido de Milla, David; homem maravilhoso, lindo e dedicado que, mesmo estando separados, continua apoiando-a. Temos também True Gallagher, um empresário que venceu sozinho e que se interessou pela causa de Milla, tornando-se um de seus doadores mais assíduos. Outro nome que se destaca na história é o de Rip Kosper. Todos são fundamentais na trama.
Mas nosso absinto de hoje consegue ser imbatível, pelas poucas e marcantes palavras e ações, como já disse. Vejam:
“[...]
Ainda um pouco engasgada, ela disse: ─ O que houve? Por que caímos?
Ele disse: ─ O chão estava incerto onde a prancha estava apoiada e a fez balançar. A próxima pergunta foi:
 ─ Como sabia que existe uma queda d´água nesse rio?
Díaz ficou em silêncio por um momento e depois disse: ─ Sempre tem uma cachoeira. Você nunca viu nos filmes?
Feliz, aliviada e quase histérica de tanta alegria por estar viva, ela começou a rir.

Díaz estava deitado de barriga para cima ao lado dela, ofegava e tentava recuperar o fôlego, mas agora tinha virado a cabeça para ela e sorria. Ele a observou por um minuto, com os olhos semicerrados por causa do sol da tarde. Então, disse:
 ─ Eu daria meu testículo esquerdo para estar dentro de você agora. [...]”
Perdi a conta de quantas vezes li esse trecho para ver se a excitação que ele me causou desaparecia. Mas não, ainda hoje, reescrevendo-o tenho as mesmas reações. Tão fortes quanto o trecho de sua primeira transa... aliás, as demais também foram HOT! HOT! HOT!
“[...]
Não havia nada de romântico em Díaz, nada de palavras doces sendo murmuradas ou gestos galanteadores, apenas aquele beijo que não parava mais, profundo e voraz. Ela nunca tinha sido beijada daquela maneira antes, com uma intensidade que evidenciava os elementos mais simples: homem e mulher. Ele a segurava com a mão emaranhada em seus cabelos, apoiando sua cabeça com a mão, jogada para trás enquanto deliciava-se com sua boca. Parecia que tirava alguma coisa dali. Mas, mesmo assim, ele também dava. Dava prazer. Ela queimava de prazer, e as chamas era atiçadas por nada mais que sua boca e língua.
 Sua ereção apareceu na frente de sua calça. Era uma presença dura como pedra contra seu estômago, e ela sentiu um arrepio de desejo por dentro. Em um frenesi, ela se afastou um pouco, brigou com o botão e o zíper tirando a roupa úmida para que pudesse... (TRECHO TARJA PRETA!)
Os braços dele se firmaram e ele a deitou na cama, e, em vinte tumultuados segundos, tinha tirado toda a roupa dela. Com mais dez, tirou suas próprias peças. Colocou as mãos nos joelhos dela e os separou, sem esperar por autorização, posicionou-se sobre ela. Milla colocou as mãos nas costelas dele, esperando enquanto ele apoiava seu próprio corpo em um braço e, com a outra mão... (TARJA PRETA, AGAIN –  ESTOU FRACA)
Ele ficou parado, respirando por seus lábios entreabertos enquanto os dois se olhavam. Ela não conseguia se mexer; a sensação de tê-lo dentro dela era muito forte, quase dolorosa, devida a tanta intensidade. [...]
Sinto-me incapacitada para continuar, pernas e mãos trêmulas. Mas tenho certeza de que, assim como aconteceu (de novo) comigo, vocês também devem estar suspirando (melhor dizer, ofegando).
Isto é só uma pequena parcela do tornado Díaz, que na galeria de homens fortes desses livros maravilhosos, é um dos meus amantes mais queridos.
Podem crer: a história, os personagens, a edição do livro – Bertrand – e a maestria de Linda Howard, em Reencontros, vão mexer profundamente com vocês. Depois me contem.
Fico por aqui, ainda zonza depois de repassar algumas cenas desse show de texto, já louca de vontade de voltar.
Beijos e Carpe Diem!
Tani@